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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Gay Chic: Pode?

Por @EvBreal

Hoje acordei meio mimimi, e elas por elas, relembrei o que @gloriakalil escreve em seu Chic[érrimo]. Como gosto muito da @gloriadebage, pensei em pôr à prova os “ensinamentos”, já que a coisa é meio que um manual. Lá pelas tantas @gloriakalil ensina os garotos:

Roupas que fazem você parecer gay sem ser [para ele]
- roupas muito justas

- roupas que parecem uniforme (conjunto de calça e camisa – ou túnica – do mesmo tecido, com acabamentos que lembram os de uniforme, como as dragonas militares)
- roupas com transparências
- camisa justa, tipo baby look- casaco de pele
- batas e túnicas – a menos que você seja um hippie convicto, ou balinês de nascimento
-camisas com mangas bufantes, estilo Johny Depp em Piratas do Caribe
- mangas arregaçadas bem acima do cotovelo com punhos cuidadosamente espetados para cima
- calça de couro (um perigo: funciona no palco para roqueiros e, a qualquer momento, pode a ser um hype)
- bracelete - tipo munhequeira, de toalha, de tecido- anéis bonitos e chamativos
- dois brincos - um de cada lado- tamancos em geral - especialmente os de tipo holandês
- sobrancelha depilada (o David Beckham que me desculpe, mas nem ele pode)
(KALIL, 2004, p. 79)

Além de não saber usar ponto-e-vírgula, as páginas de número ímpar do livro não são numeradas (isto é estilo?). Confesso que não faço a menor ideia do tipo de bicha que fica por perto da Glória Kalil... confesso mesmo que este guarda-roupa "pirigoso" é bem estranho. Fiquei imaginando:

1. Roupas justas: lembrei dos justos que numa certa época a Versace elaborou "para eles".


Versace: Glorinha disse que não pode!


Ou ainda a série de calça skinny que Dolce & Gabanna criou...

Um gay desses, Glorinha, e quem não quer?

2. Roupas-uniformes: okay, acho que isto é bom senso. Mas me pergunto: céus, é gay quem usa isso? Definitivamente a nossa amiga precisa URGENTEMENTE conhecer uns amiguinhos nossos. Sério que ela acha que gay usa isso? Não entendi o que ela quis dizer com uniforme ou "conjuntinho'', seria moleton? hein? Quanto as dragonas militares...

é... isto é gay!

Não sei, particularmente não gosto, nem de malhas militares, das drag-onas... etc etc... mas cabe lembrar o lado "sexy" dos camuflados. Mas como não pode, a gente tira!

Vou te amarrar na minha cama! - oiq

3. O restante:
confesso. É meio desgastante procurar tudo isto. É, também concordo, roupa transparente NÃO! Ainda mais se você for um gordo peludo e for a um jantar. É nojento. Aprendi com Glorinha que isto fere a etiqueta. Na dúvida, se for feio, não vá! Baby Look, ah... depende, depende... Quanto ao casaco de pele, super pensei, no Brasil? Glorinha? E olha que eu moro na região Sul.... não comento!

5. Choque! A Glorinha rejeita o David Beckham. Por mim podia vir usando tudo, ou melhor, um uniforme justo, tecido transparente, camisa baby look , com um casacão de pele, bracelelte, tamanco (TAMANCO GLORINHA?????), dois brincos... e o que desse. Afinal, ainda é o Beckham.
Deixa eu ser sua Spice Girl?

4. Pergunta: Glorinha... e calça colorida, tipo Restart, é gay ou macho? Ah, pode não, ela é justa, mas e se for mais larguinha? Hein hein... Deixa?

Aliás, acho que o mundo tá meio gay....
... E agora? O quê a gente faz Glorinha?



________

Para quem quiser consultar a "obra'':

KALIL, Gloria. Chic[érrimo]: moda e etiqueta em novo regime. 2 ed. São Paulo: Códex, 2004.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Questão de Moda

… Pensando um pouco…

Impossível não declarar que moda é linguagem e que muitas vezes as roupas funcionam como significantes detendo em sua dinâmica os vetores de um grupo, marca social, abrindo a relação de uma conduta que lhe é própria e imanente. Moda: também é construção de uma imagem, posta entre a zona dos costumes e do comportamento, reflexos de escolhas de identificação. Neste sentido é possível dizer que as roupas significam algo e assim, portanto, podem abrir seu código como manifestação cultural e social. Há algo nas roupas para além delas próprias, valor que é capturado no uso, na veiculação e no consumo, nesse sentido é que se pode dizer que a roupa pode ser usada como dispositivo de mediação entre o sujeito e suas ações (a imagem ou os predicados que ele procura e/ou deseja). Por outro lado, há algo que também se torna acessível, há um interesse que orienta este uso simbólico, o que permite indagar até que ponto a roupa, como eleição ou “gosto”, é uma construção racionalizada? Não é possível ignorar que ela em seu aspecto “significante” permite uma travessia e um contato com certo sentido que resvala na constituição de uma imagem, na posição do indivíduo dentro da estrutura social, mas também (ao seu turno) é instrumento de uma “realização”. Talvez se possa ainda perguntar: o que carrega uma roupa? Quais os interesses em jogo entre os diversos grupos e suas expressões? Para uma tentativa de tocar estas questões há que não se deixar de fora certo lado fetichizante da moda: o de compor um universo seleto e exclusivo. Nesse sentido, a vestimenta é jogo estratégico (ou não). Impregnando-se de símbolos que funcionam como vetores para balizar um universo de privilégios ao redor do indivíduo, a roupa acaba por garantir um valor de aceitação e identificação do indivíduo dentro de um conjunto maior (de valores, de sujeitos, de predicados…). A vestimenta, assim, assume-se como a imagem dada de uma série de predicados do sujeito. Torna-se traço distintivo de um estilo e de uma personalidade. Impossível não deixar de dizer que uma roupa nunca é tão somente e inocentemente uma roupa.


@evbreal